Viagem

Bordeaux – França

21/02/2017
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Bordeaux é uma cidade francesa que tem 236 mil habitantes e mais de 1 milhão se contarmos a área metropolitana. É a capital da Aquitânia, uma das 22 regiões administrativas da França. A cidade é atravessada pelo Rio Garona e a região é muito famosa pelas vinhas e vinhos. Foi classificada como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco em 2007. Dizem até que Bordeaux é a “nova Paris”. Será?! Vem passear comigo e dizer o que você acha desse “título” que estão dando pra cidade. Aliás, Bordeaux fica a apenas 1 hora de avião de Paris, então é uma ótima opção para quem vai até a capital francesa passar uma temporada e quer dar uma “escapada” para conhecer uma outra cidade.

Começamos nosso dia passando no centro de informações turísticas para pegar um mapa. Quando possível, gosto de pegar o mapa porque é bom ter um no bolso caso a gente fique sem bateria no smartphone (normalmente usamos o Google Maps para nos locomover).

No vídeo eu disse que deixaria um link aqui no blog com mais informações sobre o City Pass, mas antes de deixar o link, gostaria de dizer o que achamos sobre esses “passes”: sempre analise os lugares que você quer visitar e se realmente vai precisar de transporte público antes de comprar um City Pass. Em Bordeaux por exemplo, fizemos tudo a pé tranquilamente e acabamos não entrando em nenhum museu ou atração paga. A dica é ver o que ele oferece (em Bordeaux existe a possiblidade para comprar para 24h, 48h e 72h), quanto custa e o que você quer realmente ver na cidade (isso vale pra qualquer cidade que tem esse tipo de serviço). No momento eles não estão vendendo online, mas o link para mais informações é esse: www.bordeaux-tourisme.com

Com o mapa na mão, caminhamos alguns metros e já chegamos no primeiro lugar que queríamos visitar, a Praça de Quinconces. Esse é uma das principais praças de Bordeaux e é uma das maiores praças públicas da Europa, com mais ou menos 126 mil metros quadrados. O nome “quinconces” vem das árvores plantadas em quincôncio, que é o nome dado a uma disposição geométricas com 5 elementos, onde quatro delas formam um quadrilátero (tipo o número 5 de um dado). Na nossa passagem por Bordeaux, não deu muito pra ver toda a grandeza da Praça de Quinconces porque estava acontecendo um evento por lá, um parque de diversões com muitos brinquedos e comidas típicas desse tipo de atração. Mas, deu pra ver o Monumento aos Girondins, que foi construído entre 1894 e 1902, em memória aos Girondins, foi um grupo político que foi vítima do Período do Terror durante a Revolução Francesa.

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Monumento aos Girondins e o parte do parque de diversões da Praça de Quinconces.

A verdade é que eu já tinha lido anteriormente que sempre acontecem feiras e festas nessa praça, portanto, as chances de ver esse espaço vazio acho que são bem baixas, hehe…

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Monumento aos Girondins

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Monumento aos Girondins

Ficar sentindo o cheirinho de todas as “porcariadas” das barraquinhas do parque me deu fome, muita fome! A vontade era atacar tudo, pedir um de cada e sentar na escadaria do monumento mesmo e comer até! Mas, resolvemos ir até um mercado para comprar uma saladinha. Fomos até o Monoprix, compramos salada, couscous e algo para beber e atravessamos a Praça de Quinconces com direção ao Rio Garona.

Do outro lado da praça, ficam duas colunas com 21 metros de altura cada, elas foram erguidas em 1829 e simbolizam o comércio e a navegação.

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As colunas da Praça de Quinconces e vários brinquedos do parque de diversões.

Sentamos no gramado em frente ao rio para comer nosso almoço. E ali me senti uma “local”, fazendo o que os franceses fazem. Apreciei minha refeição barata comprada no supermercado observando a vida passar e foi uma das melhores coisas que fiz na minha passagem por Bordeaux.

O Rio Garona (Garonne) nasce na Espanha, mas a maior parte dele está na França. Ele atravessa Bordeaux e trás ainda mais beleza a cidade…

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Gramado entre a Place de Quinconces e o Garonne.

Não queríamos muito sair daquela vida de ficar vendo a vida e as pessoas passarem, mas ainda tínhamos uma cidade linda pra ver! Fomos caminhando até o Jardin Public, um parque criado no ano de 1746. É mais um local para relaxar e observar (no bom sentido!) as pessoas (uma das minhas atividades preferidas, confesso!!).

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Jardin Public

No Jardin Public tem o Teatro Guignol Guérin, um teatro de marionetes que existe desde 1853. Os espetáculos acontecem as quartas, sábados e domingos, a partir das 15h30. Tem também o Museu de História Natural, que estava em reforma quando passamos por lá e pelo que li continuará fechado até 2018. Outras atrações do parque: jardim botânico, biblioteca e um restaurante.

Vimos várias pessoas sentadas no gramado, fazendo “nada” e a vontade foi ficar por ali também, mas… ainda tínhamos muito pra ver e filmar!! 😀

Com a saladinha leve que comemos no almoço, deu vontade de comer alguma coisa mais, e fomos em busca de canelés, doces típicos de Bordeaux. Na nossa “caça ao canela”, passamos pela Praça Gambetta, uma das principais praças da cidade. Apesar de também ter algumas pessoas no gramado, a praça é mais um lugar de passagem, foi desenhada por Andre Portier e fica numa área mais “chique” da cidade, chamada de “petit Paris”.

Pertinho da praça já estava a Porte Dijeaux, também obra de Andre Portier e construída no século XVIII. E do ladinho dela, a Baillardran, lugar que estávamos procurando para comer o tal do canelé!

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O canelé é feito com ovos, açúcar, leite, manteiga, farinha, rum e baunilha. A receita original é do princípio do século XVI. As freiras do convento Annonciades de Bordeaux faziam e os doces eram vendidos e também dados aos pobres. A receita foi recuperada no século XVIII por um confeiteiro e hoje em dia eles são reproduzidos por várias confeitarias na cidade. Se você for até Bordeaux, tem que provar um canelé! Confesso que não é meu doce preferido da vida, até brinquei no vídeo dizendo que prefiro brigadeiros, mas se eu fosse a Bordeaux novamente, comeria um canelé mais uma vez.

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Canelé com cafezinho na Baillardran.

“Abastecidos” novamente, caminhamos até a Praça Pey-Berland. O nome da praça vem de um bispo que a cidade teve no século XV. Na praça está a Catedral Saint-André e a Torre Pey-Berland.

A Catedral Saint-André é um dos principais monumentos e a igreja mais importante da cidade. Nela se casou Eleanor de Aquitânia com Louis VII (futuro Rei da França), no ano de 1137. Durante a Revolução Francesa foi usada para armazenar munição e no século XIV sofreu um incêndio devastador. As partes mais antigas do edifício em estilo gótico datam do ano de 1096. A entrada é gratuita.

A torre original da catedral, que é do século XII, não tinha estrutura para aguentar o peso do sino, então no século XV construíram uma torre separada, a Torre Pey-Berland. É um dos edifícios mais altos da cidade e é possível visitá-la. A entrada custa 6 euros e os horários de visita mudam conforme a época do ano.

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Catedral Saint-André e Torre Pey-Berland.

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A catedral por dentro…

Como chegamos na torre e já tinha passado do horário de visita, não deu para subirmos os 200 e poucos degraus para ter uma vista incrível da cidade, então fomos caminhar pela Rua Sainte-Catherine, a principal rua comercial de Bordeaux, com mais ou menos 1,2 km de extensão e lojas dos dois lados, significa que são quase 2,5 km de lugares para fazer comprinhas!

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Rue Sainte-Catherine

No final (ou começo) da Sainte-Catherine, encontramos a Praça de la Vitorie, que tem um monumento no meio, feito de bronze e mármore. É um monumento em homenagem a vinicultura, porque foi o vinho que deixou a cidade conhecida mundialmente.

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Place de la Victoire

Nessa altura já estávamos começando a ficar cansados, mas ainda tinha coisa bonita pra ver em Bordeaux, então é só esquecer o cansaço e pernas pra que te quero! Próxima parada: Basílica de Saint-Michel, construída entre os séculos XIV e XV, e sua torre.

A torre, que tem 114 metros de altura, foi construída no século XV e é separada da igreja assim como a torre da catedral. A basílica estava fechada quando passamos por lá, não sei exatamente o porquê, mas apenas abre de abril a outubro.

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Basílica de Saint-Michel e sua torre.

Da basílica caminhamos mais alguns metros e já estamos pertinho do Rio Garona novamente, na Ponte de Pierre. Essa ponte foi mandada construir por Napoleão Bonaparte e inaugurada em 1822. Foi a primeira ponte construída em Bordeaux e antes da dela existir as pessoas atravessavam o rio de barco. A ponte tem 17 arcos, que é a quantidade de letras no nome de Napoleão Bonaparte e isso não é apenas uma coincidência, foi ele que quis assim.

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Pont de Pierre

Com a noite chegando e os pés começando doer, já era hora de acabar com o passeio, mas eu ainda queria passar por mais uns lugarzinhos lindos… 🙂

A Igreja de Saint-Éloi e a torre Grosse Cloche ficam coladinhas. A torre era algo que eu queria ver de perto desde as primeiras fotos que vi da cidade. É uma das torres mais antigas da França e seu grande sino (de quase 8 toneladas!) soa apenas em ocasiões muito especiais, como o Dia da Bastilha por exemplo. Quando foi construída, ela tinha função de defesa e também servia como prisão. Ah, e a igreja nem parece uma igreja, se estiver desatento, passa sem perceber, mas a entrada dela, para quem está vindo do rio, fica do lado direito, antes de atravessar o arco da torre. A entrada na igreja é de graça e a visita a torre custa 5 euros. Como chegamos tarde, não deu pra entrar na torre.

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Grosse Cloche

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Eglise de Saint-Éloi

Mais uma caminhadinha e chegamos na Porta Cailhau, que foi construída no século XV e já foi uma das portas para a cidade de Bordeaux. Essa porta vale umas boas fotos, viu?! É muito bonita, dos dois lados… Parece um castelinho! Também é possível visitar por dentro, custa 5 euros. O horário é das 10 às 13h e das 14 às 18h, abre todos os dias da semana (fecha no Natal e Ano Novo).

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Porte Cailhau

E não daria para visitar a cidade sem passar pela Praça de la Bourse, o principal símbolo da cidade. Como uma arquitetura super elegante, demorou 20 anos para ser construída. É do século XVIII  e representa o fim da Bordeaux que era circulada por muralhas, representa uma Bordeaux livre para crescer.

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Place de la Bourse

Já cansaram? Nessa altura do campeonato passeando por Bordeaux eu já não prestava mais pra nada, hehe… Resolvemos tomar uma taça de vinho no Le Bar à Vin, mas antes passamos na Praça de la Comédie rapidinho, só pra filmar o edifício do Grand Théâtre, que foi inaugurado em 1780 e é um projeto do arquiteto Victor Louis, que também desenhou jardins e edifícios em Paris. Hoje em dia, o teatro é a casa da Ópera e do Ballet Nacional de Bordeaux.

No Le Bar à Vin não tivemos uma experiência muito boa. Apesar de ser super recomendado porque lá você pode tomar vinhos ótimos por um preço muito bom se comparado com o restante da cidade, acabamos ficando mais de uma hora na fila e quando entramos já não tínhamos tempo hábil para curtir um vinho com uma tábua de queijos. Resumindo: se tiver fila na porta, eu não recomendo, porque esperar mais de uma hora pra tomar um vinho achei “too much” (sei que parte da culpa foi nossa por ter ido tarde, mas, esperar uma hora e não ter nem 20 minutos para curtir o lugar, não dá…).

Enfim, apesar da decepção do fim do dia, Bordeaux foi maravilhosa pra gente! Amamos muitíssimo a cidade e é um desses lugares pra voltar daqui uns anos, principalmente porque adoraríamos ter feito um passeio pelas vinícolas e nem sei se esse tipo de tour existe, mas eu também adoraria fazer um cruzeiro pelo Rio Garona se possível… Mas isso vai ficar pra daqui uns bons anos, quando estivemos mais velhos e sossegados, hehe… 😉

Espero que vocês tenham gostado do passeio e logo abaixo vem o mapa do nosso roteiro pela cidade e também o vídeo:

 

 

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