Viagem

16 PONTOS NEGATIVOS DE MORAR EM UM MOTORHOME

19/01/2022

Vivendo na estrada, cada coisa boa que acontece é uma celebração e cada coisa não tão boa assim é uma experiência, um aprendizado, uma história pra contar.

Uns meses atrás eu fiz um post falando sobre os pontos positivos de se viver em um motorhome em tempo integral, e como eu disse lá no post, a vida nômade não é feita só de flores. 

Portanto hoje vamos falar sobre as desvantagens, sobre os pontos negativos de se morar em um motorhome em tempo integral.

Mas antes, um aviso: esses pontos negativos são baseados na nossa experiência, tanto minha e do Marc quanto de amigos e colegas de estrada, e o que é ponto negativo pra mim pode não ser para o outro e tudo certo. 😉

Então vamos lá!

1. Espaço limitado.

Organizando a bagunça e limpando o teto em um camping no norte da Espanha.

Algo que tem um lado positivo, na minha visão, e falei sobre isso no outro post, mas claramente tem seu lado negativo. 

Por não ter muito espaço, as coisas ficam bagunçadas com uma certa rapidez. E não dá pra deixar muito desorganizado senão atrapalha sua vida, então tem que estar sempre arrumando alguma coisinha aqui e outra ali.

Como nós ficávamos muito em campings, nós usávamos os chuveiros e banheiros dos campings e no nosso motorhome especificamente, a parte de chuveiro e banheiro é combinada e pequena, então não é a coisa mais divertida tomar banho ali. Estou falando do nosso, tá?! Tem motorhome por aí que tem banheiro de um tamanho legal.

E no meu caso, que viajei 3 anos com o marido e uma cachorra, falta espaço pessoal também, portanto, se você é muito espaçoso, a experiência pode ser bem desafiadora. Falta espaço e consequentemente falta privacidade. Qualquer pequena área no nosso motorhome era compartilhada e isso é uma grande mudança se comparado com uma casa.

E tem a parte de armazenamento também, você terá que escolher que coisas serão levadas, provavelmente não vai conseguir carregar tudo o que tem dentro de casa, a não ser que você já more em um lugar muito pequeno e tenha poucas coisas. Tudo é menor em um motorhome, a cama, o banheiro, a cozinha, a mesa, a geladeira, o forno, o fogão, a pia, o guarda-roupa, o armário para armazenar comida…

No primeiro ano viajamos com o motorhome dos meus sogros que era um pouco maior, então a geladeira e o espaço para armazenar comida também eram um pouco maiores. Naquela época conseguíamos ir ao mercado uma vez na semana e no nosso motorhome, que é menor, nós íamos duas vezes porque a geladeira é bem pequenininha e só tem uma porta do armário para armazenar a comida. A nossa alimentação inclui bastante frutas, verduras, legumes… E muitas desses alimentos têm que ser armazenado na geladeira.

2. Mofo e bolor.

Conhecendo o lago Lovatnet, na Noruega.

O espaço é pequeno, a ventilação existe mas não é como em uma casa, então é muito fácil criar mofo e bolor dentro do motorhome. Nós nunca enfrentamos grandes problemas com isso, mas já tivemos sim um pouco de bolor, principalmente no inverno quando ficamos com as janelas e portas mais tempo fechadas. Mas sempre foi pouca coisa e limpamos com facilidade.

Sei de casos de colegas de estrada que tiveram bastante problemas com isso e uma dica é quando você for comprar um motorhome ou trailer usado, prestar bem atenção nos cantinhos, no banheiro, no teto, nas paredes, abrir as portas dos armários e olhar com cuidado dentro, para ver se não tem pontos de umidade e mofo. 

3. Sua casa sofre uma espécie de pequeno terremoto toda vez que você se locomove com ela.

Na Vrši? Pass, na Eslovênia, onde tem uma estradinha com muitas curvas.

Nas rodovias chacoalha menos, mas nas estradinhas menores que não são tão “lisinhas” tudo balança, ainda mais se for um motorhome vintage como o nosso. É importante que seus pertences estejam bem armazenados para não quebrarem.

E com a vibração, coisas se desencaixam, parafusos ficam frouxos, gavetas e portas podem ficar meio soltas… Tem que sempre estar de olho apertando um parafuso aqui e outro ali.

4. O controle da temperatura pode ser difícil.

Camping alagado em Colchester, na Inglaterra.

Imagina que sua casa é feita de lata e madeira, com algum isolamento térmico, mas ainda assim não é o suficiente para não sentir o frio ou calor que está do lado de fora. 

Se estiver muito quente fora, vai estar quente dentro do motorhome. Nós não temos ar-condicionado, mas já escutei viajantes dizendo que mesmo com o ar-condicionado ligado, muitas vezes não é o suficiente. Refresca, mas não como refrescaria em uma casa.

Se está frio lá fora, provavelmente você vai sentir boa parte desse frio quando estiver dentro do motorhome. Ah Maureen, mas tem aquecedor! Tem, eu sei. Mas você está em uma casa pequena, que ao mesmo tempo é um carro, exposta ao clima, não vai ser a mesma coisa que estar no conforto da sua casa ou apartamento fixo, eu passei mais frio e calor no motorhome do que em qualquer casa que já morei. Muitas vezes é difícil chegar em uma temperatura confortável dentro da “casinha” se a temperatura não estiver confortável fora.

E qualquer condição climática extrema é problemática quando se vive em um motorhome. Muito vento, ondas de calor, frio extremo, tempestades… Às vezes dá pra fugir, mas outras não dá. Uma vez pegamos um frio de -12 graus na França, em plena primavera. Na época passou uma frente fria que veio da Sibéria que atingiu a Europa toda, estava frio por todo canto, nevando em vários lugares que não costuma nevar e não tinha muito para onde correr. 

Uma das coisas a se fazer é ficar de olho na previsão do tempo. Não lembro de sermos pegos de surpresa porque todas as vezes que tivemos muito vento, chuva, frio, nós sabíamos o que estava chegando e nos preparávamos como podíamos. 

5. Dirigir um carro grande pode ser estressante.

Em um lava a jato em algum lugar da França.

Quanto maior o seu motorhome, mais espaço você tem, mas é mais difícil de encontrar lugar para estacionar e será mais estressante dirigir por algumas ruas, principalmente aqui na Europa que tem umas cidadezinhas antigas com ruazinhas estreitas.

O motorhome dos meus sogros, que nós usamos por um ano, tinha quase 7 metros de comprimento. O nosso tem 6 metros. Esse um metro a menos fez muita diferença. Com certeza nós preferimos o motorhome menor porque realmente acreditamos que ele fez nossa vida mais fácil. Mas, mesmo sendo um motorhome pequeno, ele ainda é um veículo grande, e dependendo de onde você estiver, por onde tiver que dirigir, estacionar e tudo o mais, pode ser estressante sim.

Se for entrar em cidades grandes então, aí complica. Em várias cidades aqui na Europa, nem se pode entrar com o motorhome, é cheio de regras. Inclusive tem um site que fala sobre todos os regulamentos de acesso urbano na Europa. Clique aqui para acessar.

Isso é mais uma coisa para se levar em conta em viagens de motorhome pela Europa, não é só ir “se enfiando” onde você quer, tem que ir atrás da informações para não ser surpreendido com multas.

6. Cansaço.

Estacionamento em Monteriggioni, na Itália.

Durante nossa viagem comentei sobre esse assunto algumas vezes nos vídeos do meu canal no YouTube, e apesar de eu realmente achar que só me entende quem vive ou viveu em um motorhome viajando por um tempo longo, vou falar mais uma vez: o estilo de vida nômade é cansativo. 

É viver se mudando, estar sempre em movimento. Seu corpo e sua mente não descansam, ficam em constante estado de alerta. 

É pensar o tempo todo se vai ter eletricidade (ou energia e bateria suficiente), se tem água para beber, se tem água no tanque de água limpa, se precisa e onde vai esvaziar o banheiro químico ou a água cinza do motorhome e mais infinitas outras coisinhas como: se tem posto de gasolina e mercado por perto, se vai ter conexão com a internet, se aquele lugar é seguro para parar e dormir, se é permitido parar e pernoitar naquele estacionamento, enfim, a lista é imensa e são coisas que você não tem que se preocupar quando está em uma casa fixa. Viver em constante estado de alerta cansa. 

7. Falta de rotina.

Em Hohenschwangau, na Alemanha

Tem a rotina da estrada, que você se adapta, mas tem outras rotinas que ficam muito difíceis de estabelecer quando a cada semana se está em um lugar. Não existe “acordei, tomei café da manha, peguei a estrada, parei para dormir e repete”. Alguns dias você pega a estrada, outros não, tem semana que viaja centenas ou até milhares de quilômetros, outras fica parado no mesmo lugar…

Nunca consegui colocar uma rotina de exercícios físicos por exemplo, eu fazia alguma atividade por uma semana e então algo fora do planejado acontecia e aquela rotina de exercícios ia por água abaixo. E isso vale para qualquer outra rotina. Não é impossível, mas é um pouco mais complicado.

8. Não ter um endereço permanente.

Em uma área para motorhomes na Alemanha.

No post sobre os pontos positivos, falei sobre toda essa liberdade e flexibilidade de não viver em um lugar fixo, mas tem também seu lado negativo. Receber encomendas, documentos, conseguir um médico ou dentista de confiança, provar residência em algum processo mais burocrático, todas essas coisas são mais difíceis para quem não tem um endereço fixo. 

No nosso caso, não tivemos nenhum grande problema porque nosso endereço fixo continuou sendo a casa dos meus sogros, então usávamos o endereço deles na Espanha quando precisávamos. Não viver fixo no mesmo lugar tem seu preço, aquele mercadinho que você gosta, aquela loja que você sabe que fica aberta até tarde no sábado, aquela pizza maravilhosa que vende no seu bairro… E quanto você encontra algo que gosta, um lugar, supermercado, loja, bar, restaurante, não dá para se apegar porque logo você não estará mais ali.

E tem a pior parte (na minha opinião), caso tenha algum problema de saúde, não terá um médico de sua confiança. Passei por isso e não foi legal. Médico estrangeiro, que não fala seu idioma, que trabalha de uma forma diferente da que você está acostumado, enfim… não ter um endereço permanente é um ponto negativo em alguns casos.

9. Orçamento.

Camping Ferienparadies Natterer See, na Áustria.

Pode ser difícil definir ou manter um orçamento fixo porque os custos mudam de um lugar para outro. Em uma casa tradicional é mais fácil ter controle sobre os seus gastos. Em um motorhome é muito fácil você acabar gastando mais do que deveria e poderia. Tanto porque o preço é mais caro em alguns países ou porque o lugar e o estilo de vida que você estará levando tem muitas coisas a oferecer e você vai querer visitar muitas atrações, comer em muitos restaurantes, beber vários vinhos… 😀

10. A alta temporada e a baixa temporada exigem ainda mais planejamento.

Outono em uma das praias do Algarve, em Portugal.

Quando falo alta temporada me refiro ao verão e baixa temporada ao inverno. Primavera e o outono, que são as estações intermediárias, são as minhas favoritas para viajar. 

No verão os lugares grátis para pernoitar costumam ficar lotados, e os pagos (campings, áreas para motorhome e estacionamentos), além de cheios, ficam com os preços mais altos. No inverno muitos locais fecham e nós mesmo já demos com a cara na porta de vários campings e estacionamentos porque não sabíamos se estava aberto ou fechado ou porque encontrávamos informações na internet dizendo que estava aberto e quanto chegávamos estava fechado. 

Imagina ficar no meio do nada, sem eletricidade, sem água, sem ter lugar pra dormir. Claro que sempre existe uma saída, mas pode rolar um pequeno estresse, ainda mais quando está escuro, você passou horas na estrada e está cansado. 

11. Não ter a mesma comunidade que se tem morando em uma casa fixa.

Gryta Camping, em Olden, Noruega.

É muito difícil se integrar, se conectar, se envolver com a comunidade local quando você fica naquele lugar por apenas alguns poucos dias. Fazer novas amizades é difícil (mas não impossível!).

Pode ser uma vida solitária, mesmo viajando com seu parceiro(a). Você não vai ter seus amigos por perto para sair tomar alguma coisa e falar bobagem. Não vai ter seus amigos da igreja, da academia, a família por perto para convidar no fim de semana para fazer um churrasco. Mesmo hoje em dia, que temos acesso aos meios digitais e essa facilidade de comunicação por FaceTime, WhatsApp, Zoom e todas essas plataformas, essa parte de ficar longe da família e dos amigos é bem chata. 

12. Equilíbrio entre a sensação de estar de férias e a realidade.

Na Alemanha, perto da fronteira com a Áustria.

Sempre tem algo novo lá fora para ser explorado, e como faz quando se tem que trabalhar? Tem que tentar colocar a cabeça no lugar e dividir bem o tempo e entender que se você viajar e trabalhar ao mesmo você vai ter que fazer algumas renúncias.

13. Reparos.

Camping Valdeiva, próximo a Cinque Terre, na Itália.

O motorhome precisa de manutenção, concertos… Vivendo em um motorhome nós descobrimos que motorhomes não foram feitos para serem ocupados em tempo integral. Eles foram feitos para viagens de férias, viagens por uma temporada, viagens recreativas. Tanto é que nos Estados Unidos eles chamam de RV, que seria recreacional vehicle, traduzindo, veículo recreacional ou recreativo.

Portanto, se estiver em constante uso, vai ter mais desgaste. Tanto na parte externa, pelo próprio clima, quanto na parte interna: lâmpadas, portas, eletrodomésticos, aquecedor… Se for um motorhome antigo como o nosso, precisa de ainda mais reparos, na parte mecânica, por fora e por dentro.  E se não arrumar assim que quebra, a situação fica pior porque vai estragando mais, vai enferrujando, outra parte vai quebrando por cima e é como um efeito dominó de “coisinhas” quebradas.

14. Conexão com internet.

Cabo de São Vicente, Portugal.

Alguns dos melhores lugares que encontramos pra ficar, tinham a pior conexão wi-fi e sinal de 4G. Em alguns locais que estivemos, nem o celular funcionava, pra nada. Se acontecesse uma emergência teríamos que entrar em uma casa ou comércio e pedir o telefone emprestado. Para quem precisa da internet para trabalhar, pode ser um atraso de vida.

15. Problemas com água, ou melhor, problemas com a pouca quantidade de água.

Em algum lugar entre a Áustria e a Alemanha.

Já falei aqui que nós parávamos a maior parte do tempo em camping, portanto usávamos os chuveiros dos campings. Mas, para quem pretende tomar banho no motorhome, fica o aviso: você vai ter uma certa escassez de água, principalmente água quente. Pra quem curte um banho longo, quentinho, com aquele chuveiro com uma pressão maravilhosa, galera que tem cabelo comprido, gosta de depilar as pernas no banho com calma e espaço… Desculpa, mas vou ter que acabar com a sua felicidade, isso é algo que vai ter que ser gerenciado vivendo em um motorhome.

O nosso tanque de água no motorhome tem 70 litros, fiz uma pesquisa e encontrei a seguinte informação no site da Sabesp: se você tomar um banho de 5 minutos, desligando a água ao se ensaboar, você vai gastar em torno de 45 litros de água. Isso em uma casa, com uma pressão legal no chuveiro.

Ou seja, em um motorhome você vai ter que desenvolver técnicas de banho, por causa da quantidade de água e por que a água quente no motorhome não é infinita.

Esse estilo de vida lhe dá a liberdade de ir e vir e a não liberdade de poder tomar um banho quentinho e gostoso… 😛

16. Os tanques.

Langfossen, na Noruega.

Lidar com os tanques, o de água limpa, que é mais sossegado porque não é tão difícil de achar um lugar para conectar uma mangueira e encher o tanque, mas também com o de água suja, e com o seu cocô e xixi.

Morando em uma casa é só ir lá, fazer seu xixizinho, cocozinho, dar a descarga e pronto! Morando em um motorhome meu amigo, você vai ter que esvaziar o banheiro químico, que é a caixinha onde fica a urina e as fezes. Existem lugares apropriados para isso nos campings e em algumas áreas de serviço para motorhome.

E o tanque de água suja (água cinza) também ter que ser esvaziado em locais apropriados, e em alguns países é mais fácil de encontrar esses lugares, em outros, mais difícil.  No aplicativo park4night, que citei no post sobre os pontos positivos, você consegue pesquisar locais para encher o tanque de água limpa, esvaziar a água cinza e o banheiro químico.

Bom, e esses foram os pontos negativos! Existem outros, mas quis enfatizar esses porque para nós foram os principais. 

Os pontos positivos superam os negativos, nós amamos viver no motorhome e se fosse ruim não tínhamos ficado 3 anos na estrada.

Por que paramos? Porque é cansativo, o corpo sente, e porque temos outros planos… Sempre vamos viajar, sempre vamos querer viajar de motorhome, mas viver por um tempo longo não sei, no momento falamos que não, mas vai saber no futuro, né?! 

Como já disse no outro post, para quem pensa em viver em tempo integral em um motorhome, faça um teste, alugue um motorhome para fazer uma viagem e ver se você se adaptaria a esse tipo de vida. É uma grande mudança na rotina, pode ou não ter a ver com você, mas se é da sua vontade e é possível se organizar financeiramente, não fique pensando muito, só vai!

Erros e pontos negativos fazem parte do processo e você vai aprender com eles.

Não esqueça de deixar seu comentário dizendo se gostou desse post e se você pensa em um dia viver esse tipo de aventura.

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